Pipe Pipoca foi o filho mais velho da minha mãe com meu pai; irmão mais velho da minha irmãzinha caçula. Nossa relação, no entanto, se restringe ao compartilhamento do mesmo corpo, que amadureceu ao longo de tantos janeiros e já sôfrego de alguns excessos. Desconhece-se o paradeiro do menino, que desapareceu em algum contemplar do mar, no fundo de uma garrafa, nos desvios de uma estrada ou iludido pelos cheiros do amor. Há quem diga que Pipe Pipoca e eu ainda guardamos o mesmo olhar, de malandragem e auto-piedade. Fora isso, pouca coisa nos uniu por muito tempo. Foram as melancólicas, embora animadas, conversas de meia-noite que nos reaproximaram.
Descobri que aos quatro anos, o Pipe Pipoca perguntou a uma tia querida, de posse de um globo daqueles que acendem, se ele poderia ter o mundo até os oito – a primeira idade da maturidade ante seus olhos. A tia disse que até os quarenta – casa aproximada do pai à época - era possível. Chegando aos oito, Pipe decidiu o que queria da vida. De alguma maneira mantinha a idéia do globo luminoso.
Mas ai chegaram os mares, as garrafas, as estradas e os cheiros do amor...
Decepcionar o Pipe Pipoca é a maior dor que jamais experimentei. Em nossas conversas de madrugada, ele me confessou que aos 21 anos eram superadas suas mais ambiciosas expectativas quanto às possibilidades da vida. O de 24 o frustrava profundamente. O de 21 dava a impressão de, ao mesmo tempo, ter construído alguma coisa e de viver a vida com paixão. O de 24 deixou a vida correr, embora a tenha vivido com entusiasmo raro.
Só o de 25 poderá acalentar a tristeza de Pipe Pipoca. O de 40 dificilmente terá o mundo, mas não mais decepcionarei o Pipe Pipoca nem este escriba.
Descobri que aos quatro anos, o Pipe Pipoca perguntou a uma tia querida, de posse de um globo daqueles que acendem, se ele poderia ter o mundo até os oito – a primeira idade da maturidade ante seus olhos. A tia disse que até os quarenta – casa aproximada do pai à época - era possível. Chegando aos oito, Pipe decidiu o que queria da vida. De alguma maneira mantinha a idéia do globo luminoso.
Mas ai chegaram os mares, as garrafas, as estradas e os cheiros do amor...
Decepcionar o Pipe Pipoca é a maior dor que jamais experimentei. Em nossas conversas de madrugada, ele me confessou que aos 21 anos eram superadas suas mais ambiciosas expectativas quanto às possibilidades da vida. O de 24 o frustrava profundamente. O de 21 dava a impressão de, ao mesmo tempo, ter construído alguma coisa e de viver a vida com paixão. O de 24 deixou a vida correr, embora a tenha vivido com entusiasmo raro.
Só o de 25 poderá acalentar a tristeza de Pipe Pipoca. O de 40 dificilmente terá o mundo, mas não mais decepcionarei o Pipe Pipoca nem este escriba.
Brasília, 2005