Vou me mudar pra Brunna
Pra aprender a falar brunnês
Vou fazer de sua e minha etnia una
De sua religião confessar-me freguês.
Lá me apossarei das praias
Lá suas florestas irão me tragar
Lá naufragarei em suas saias
Só pra rimar verbos terminados em ar.
Gosto de me fartar de suas iguarias
Para adormecer sob a loira luna
Gosto de rejeitar as forasteiras marias
Para embriagar-me só dos vinhos de safra brunna.
Preciso surfar em suas montanhas
Necessito poetizar em seus bares
Costumo romancear nossas façanhas
E me matar de amor em seus mares.
Retrato sua vida noturna
Canto a um país feito por dois
Pago tributo a sua alegria soturna
E rendo-me à nação que sois.
Tenho já pele encantada de seu Sol
Tenho já de cor sua constituição
Sou torcedor da Seleção Brunna de Futebol
E Grêmio Recreativo Unidos da Brunna de coração.
Agora Brunna é meu país
É onde estou livre do imoral
Sei que aqui não tenho raiz
É tarde! Já pedi asilo sexual.
Minha pátria,
Quero discursar na ONU em seu nome
Quero um infinito laissez-passer
Quero ser-lhe o menino e o homem
Quero seu presidente me eleger
Quero me fazer escravo de suas delícias
Quero todas suas fronteiras percorrer
Quero ser caçado por suas milícias
Quero suas leis desobedecer
Quero revogar sua independência
Quero Brunna recolonizar
Quero ir preso por apaixonada demência
Quero de Brunna & Filipe lhe rebatizar
Quero ser deportado pela aduana
Quero entrar e sair quando preferir
Quero ser solto só pra voltar em cana
Não! Quero entrar em Brunna pra nunca mais sair.
Brasília, março de 2006
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