A onomatopeia quase ganhou de volta o acento com a voadora que Pardalzinho ofereceu a Cabeça de Bagre. Ofereceu, né?, porque, se pudesse opinar, Cabeça – o apelido do apelido pelo qual o já ex-atacante se notabilizou em treze temporadas na terceira divisão do futebol paulista – a teria olimpicamente recusado. Bem, olímpica não, porque as pretensões desportivas de Cabeça sempre foram mais locais. A gentileza de Pardalzinho, afinal, custou a carreira ludopédica a um hoje bem sucedido feirante de Sorocaba.
À ocasião deste encontro de cavalheiros, Thiago Menezes Cabral Gonzaga Neto – o Pardalzinho – só engatinhava nos gramados, de aqui e alhures. Bom de bola nunca foi. Mas marcava firme, isolava a pelota com rara imprecisão, exercia uma certa liderança bronca sobre o setor defensivo das equipes que veio a defender. Rodou o mundo, esteve na Zoropa, Inglaterra, Hungria, Isteites, Miami e nas Arábias. Ganhou euro e dólar. Comprou apartamento pros velhos e caminhonete pro irmão mais novo. Aprendeu até inglês: pés daból, porra.
Já maduro, voltou para a Auriverde. Tinha completado 24 verões e sete temporadas. Foi para o 15, de Jaú. Compôs o setor de proteção da zaga com outro andarilho deste mundo: Jorginho Paraíba, duas convocações para a Amarelinha no resumê. Com a retaguarda protegida, o 15 chegou a emplacar três vitórias seguidas, uma delas diante do temido Guarani de Campinas. 1 a 0 fora de casa, lá no Brinco de Ouro da Princesa. Gol de quem? Graaaande Pardal, de cabeça, pro fundo da rede, cujo único comentário foi “porra de estádio com nome de viado”. Ao final da temporada, acabou contrado pelo próprio Bugre campineiro. Olha a ironia aí, gente.
Primeira divisão é outra história, peladeiro. Viagem de avião e TV Globo. Nome citado pelo Galvão, pelo Falcão e, dada a frequência de seus acertos – nas canelas alheias – até pelo Arnaldo. A reserva do Guarani de Campinas superava seus delírios juvenis. Era feliz e o sabia.
Foi numa churrascaria na Barra da Tijuca, depois da derrota para o Botafogo pelo Brasileirão, que Thiago – Pardalzinho é nome de relva, parceiro – colou os olhos nela. Cabelos loiros, decote, bunda grande e saia curta, moça nova. É princesa, porra. Não precisou de meio dedo de prosa pra saber que até curso superior tinha: advogada. Tô amando.
O casório teve dupla sertaneja famosa e uisque doze anos. Saiu foto no Jornal dos Sports. O pai da moça, botafoguense das antigas, fez graça do genro. Foi somente a partir de uma foto da celebração, postada no Facebook pela moça que aparecia de branco, que sua existência foi revelada para o grande público e, diriam alguns, descaradamente inventada.
À ocasião deste encontro de cavalheiros, Thiago Menezes Cabral Gonzaga Neto – o Pardalzinho – só engatinhava nos gramados, de aqui e alhures. Bom de bola nunca foi. Mas marcava firme, isolava a pelota com rara imprecisão, exercia uma certa liderança bronca sobre o setor defensivo das equipes que veio a defender. Rodou o mundo, esteve na Zoropa, Inglaterra, Hungria, Isteites, Miami e nas Arábias. Ganhou euro e dólar. Comprou apartamento pros velhos e caminhonete pro irmão mais novo. Aprendeu até inglês: pés daból, porra.
Já maduro, voltou para a Auriverde. Tinha completado 24 verões e sete temporadas. Foi para o 15, de Jaú. Compôs o setor de proteção da zaga com outro andarilho deste mundo: Jorginho Paraíba, duas convocações para a Amarelinha no resumê. Com a retaguarda protegida, o 15 chegou a emplacar três vitórias seguidas, uma delas diante do temido Guarani de Campinas. 1 a 0 fora de casa, lá no Brinco de Ouro da Princesa. Gol de quem? Graaaande Pardal, de cabeça, pro fundo da rede, cujo único comentário foi “porra de estádio com nome de viado”. Ao final da temporada, acabou contrado pelo próprio Bugre campineiro. Olha a ironia aí, gente.
Primeira divisão é outra história, peladeiro. Viagem de avião e TV Globo. Nome citado pelo Galvão, pelo Falcão e, dada a frequência de seus acertos – nas canelas alheias – até pelo Arnaldo. A reserva do Guarani de Campinas superava seus delírios juvenis. Era feliz e o sabia.
Foi numa churrascaria na Barra da Tijuca, depois da derrota para o Botafogo pelo Brasileirão, que Thiago – Pardalzinho é nome de relva, parceiro – colou os olhos nela. Cabelos loiros, decote, bunda grande e saia curta, moça nova. É princesa, porra. Não precisou de meio dedo de prosa pra saber que até curso superior tinha: advogada. Tô amando.
O casório teve dupla sertaneja famosa e uisque doze anos. Saiu foto no Jornal dos Sports. O pai da moça, botafoguense das antigas, fez graça do genro. Foi somente a partir de uma foto da celebração, postada no Facebook pela moça que aparecia de branco, que sua existência foi revelada para o grande público e, diriam alguns, descaradamente inventada.
Washington, DC, março de 2011.
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